quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Dia da Mulher Guineense - Considerações

Neste dia da celebração da Mulher Guineense na construção da nação, costumamos recordar as nossas heroínas da luta de libertação: Carmem Pereira, Titina Silá e Francisca Pereira (pela ordem da fotografia).



Em 1973 a Guiné perdeu o seu líder Amílcar Cabral e a combatente Titina Sila. O mestre-ideólogo e a discípula da insubordinação colonial. Perdeu mais pessoas, mas destacamos estes dois, pela sua importância nacional e internacional (Amílcar) e reconhecimento nacional (Titina).



Celebra-se hoje exactamente o dia da morte de Titina Sila. A 30 de Janeiro, consta que atravessava o rio Farim para assistir às cerimónias fúnebres de Cabral quando foi assassinada.

Certo dia, para um pequeno trabalho, estive a procurar nos livros e depoimentos de companheiros de luta de Titina Sila, mais elementos sobre a sua vida que me permitissem conhecê-la melhor e explicar a sua importância em todo o processo de luta armada, e para meu espanto, encontrei poucas descrições sobre a sua importância efectiva, sobre a sua vida e a sua personalidade, mas imensas referências rápidas à sua pessoa. Por isso falo de "reconhecimento" e não de "importância". Ou serão os dois sinónimos? Talvez.
Para celebrarmos um herói, temos de conhecê-lo, ter exemplos, ter a contextualização da sua acção, valorizar o seu trabalho e não fazer apenas ocas referências à sua pessoa. Urge, por isso, uma obra que possa contar a história de Titina Sila: a sua biografia. Conhecer para podermos valorizar e não esquecer nunca o seu contributo (e a de outras mulheres guineenses) e a sua participação no processo de edificação de um estado independente, e não meras referências que não nos contam a sua importância através de factos, de acontecimentos, de exemplos da sua vida e do seu trabalho.



Como historiadora, não poderia estar mais de acordo com a necessidade de valorização das mulheres na história da Guiné-Bissau, opondo-me à sua secundarização e invisibilidade nos primeiros planos das narrativas, a não ser que esta tenha sido a realidade histórica, mas mesmo que tenha sido, saber o porquê desse facto. Daqui a cinquenta anos, que saberemos sobre Titina Sila, quando desaparecerem os seus companheiros e os familiares que conviveram com ela?

Num país como a Guiné, em que as referências positivas de verdadeiros heróis nacionais carecem de protagonistas, precisamos hoje em dia de ressalvar o património das lutas ideológicas, aquelas que trazem sonhos como primeira letra do alfabeto do desenvolvimento. Sim, heróis nacionais serão sempre aqueles que tiverem sonhos para o país, que lutaram sem pedir trocos, para uma causa que beneficiará muitos outros. São aqueles que perderam os umbigos em prol de uma causa maior.

Voltando às mulheres. Para celebrarmos, é bom reflectirmos sobre o momento presente, porque o passado nós já não podemos mudar nem transformar. E percorrendo a nossa história recente até à actualidade, podemos perguntar-nos: "Que progressos foram feitos em prol da igualdade de género no país?" E reflectir sobre os seguintes items:
- Pobreza e acesso aos recursos materiais, económicos e à terra;
- Instabilidade Política e social e Violência doméstica;
- Casamentos forçados e mutilação genital feminina;
- Acesso aos cuidados de saúde e à educação;
- Participação política e cidadania;
- Etc.

Para nós, mulheres guineense, a luta ainda não terminou!

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