segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Iana II - O Desejo



Iana tirou as calcinhas e ajeitou a saia de modo a que esta ficasse presa entre as suas nádegas. Pelo andar, seria fácil reparar que estava nua. Riu-se com a ideia. Pintou os lábios de um vermelho forte que contrastava com a pele escura e pacientemente pintou as curtas unhas do mesmo tom. Não tinha dinheiro para pagar esse serviço, mas mesmo que tivesse teria preferido ser ela a fazer as suas coisas. Não conhecia nem confiava em ninguém em Bissau. Um dos seus beijadores tinha-lhe conseguido um quarto e ajudou-a a sair da tabanka, depois de ter sido amaldiçoada pela sua mãe.

- "Agora posso fazer tudo!" - dizia chorando a caminho de Bissau - "Perdi o pouco medo que ainda me restava das pessoas e da própria vida..."
- "Porque dizes isso Iana?" - perguntava-lhe curioso José, um beijador - "Tu tens sorte. Eu vou ajudar-te! Tem calma..."
- "A minha mãe ajoelhou-se... nada pior me poderia ter acontecido. Agora, como sei que nunca terei sorte, que nada dará certo comigo, que nada durará... nada temo!"
José sorriu mentalmente e pensou que era mesmo esse o espírito com que a queria. Através de Iana, resolveria a sua vida na capital. Iana era viciada em sexo mesmo sendo virgem. Tinha um corpo feito para o amor e adorava seduzir. Não era preciso forçá-la a nada e isso era uma situação maravilhosa, porque uma mulher, quando quer muito fazer uma coisa, fá-lo sem se cansar. E Iana não se cansaria.

Quando sentiu o barulho do carro à sua porta, levantou-se num salto alto vermelho novo vindo de Lisboa e pôs a bolsa preta gasta e cansada aos ombros. A Adrenalina começou.
- "Nao, não podes ir assim vestida..." - disse-lhe José com cuidado, entrando e fechando a porta - "trouxe-te outra roupa. Para onde vamos precisas de vestir-te de uma forma mais... normal. Eles preferem assim, para não dizerem que estão a sair com putas, percebes?"
- "Hahahahaha!" - riu-se alto - "Vou assim, e se não quiserem, eu consigo outras pessoas..."
- "Tenho dinheiro para te dar hoje Iana, mas por favor, veste isto e vamos. Vamos ganhar mais ainda..."
- "Eu não preciso de muito dinheiro. E já te disse que não quero fazer disto uma coisa séria. Só assim consigo sentir orgasmos. Eu quero trabalhar num cabeleireiro, sei fazer tranças como ninguém, e ser beijada por quem eu escolher. Não gosto dos homens de Bissau..."
- "Eles não gostam de virgens aqui, Iana. Beijar-te os seios sem fazer mais nada, para eles é brincadeira! Os homens de Bissau estão habituados a outras coisas... percebes?"
- "Eu vou assim vestida!" - ameaçou desafiadora.
José acedeu, visivelmente irritado com a situação.
- "Vamos Iana. É como tu quiseres, mas vestida assim, não terei como defender-te."

.

Sem comentários:

Enviar um comentário