
Iana caminhou devagar enfrentando as luzes que tentavam encandear o seu brilho. Não sabia se vinham dos olhares curiosos que a consumiam, ou do colorido pisca-pisca da discoteca. Enquanto andava, tentava mentalmente controlar o seu salto alto. Era tão alto que evitava olhar para o chão. Insegurança? talvez. Ao fundo, o seu amigo esperava-a, vestido tal e qual lhe dissera: calças e casaco de um azul claro e às riscas brancas... e uma rosa na mão. Quando a viu, os seus olhos acenderam. Era mais bonita e vistosa do que lhe tinham dito. Iana teve o sentimento contrário, o homem era menos interessante do que pensava. Era demasiado gordo, demasiado redondo e com um ar muito espalhafatoso. Gostava de homens tranquilos, quase desinteressantes, que ela pudesse seduzir com cuidado, mas todos tinham uma coisa em comum, que era uma secura no corpo e um olhar terno, quase paternal. Loucuras, ter-lhe-ia dito a mãe. Um homem bom não faz o que te fazem.
Procurando apagar a mãe da sua memória, começou a rebolar a bunda gigante de forma provocante enquanto procurava com olhares tímidos e falsos, alvos na plateia... mas nada. A frustração começava a tomar lugar. Em Bissau os homens eram fáceis, previsíveis e dominadores. Tinha tido algumas experiências, a maioria pouco excitantes, e a cada encontro com desconhecidos ficava mais nervosa. A regra continuava a mesma, beijos e carícias nos seios para ela, beijos e carícias que não nos seios para ele, e nada de outras coisas.
- "Minha querida!" - Levantou-se com pompa e indicou-lhe uma cadeira, enquanto controlava orgulhoso a atitude de outros homens presentes no espaço - "Pensei que já não viesses..." - colocou o braço atrás de Iana, aproximando-a - "Hoje vamo-nos divertir muito!"
Iana estremeceu de um súbito frio e sentiu arrependimento e medo.
- "Eu disse que vinha, por isso vim. Cumpro sempre a minha palavra. Espero que tu também!" - retorquiu.
- "Hehehehehe! Não tenhas medo, querida!"- riu-se nervoso e acendeu um cigarro - "Uma tipa que faz o que fazes não tem de ter medo".
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